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O que é o espaço IPv4 legacy e em que difere
O que torna um bloco «legacy»
O espaço de endereçamento legacy foi atribuído antes de os registos regionais da Internet (RIR) existirem. Durante os anos 80 e o início dos anos 90, os endereços eram distribuídos diretamente pela IANA e pelos seus antecessores, sobretudo a universidades, instituições de investigação, primeiros operadores de rede e grandes empresas, sem nada que se parecesse com o enquadramento de políticas que rege as alocações hoje.
Quando o sistema dos RIR foi criado, estas atribuições existentes não desapareceram. Foram registadas nos novos registos, mas os titulares nunca tinham assinado um contrato de adesão a um RIR e nunca tinham aceitado as políticas que o acompanhavam. Esse acaso histórico é toda a história: os recursos legacy estão sujeitos a um conjunto de obrigações de registo diferente, e em geral mais leve, do que o espaço alocado depois.
Legacy face ao espaço PA
O espaço alocado comum é normalmente provider aggregatable (PA): alocado a um registo local da Internet (LIR), detido ao abrigo de um contrato de adesão, e sujeito ao conjunto completo das políticas do registo. Traz obrigações contínuas: taxas anuais, requisitos de documentação, e regras sobre como pode ser transferido ou reatribuído.
O espaço legacy tem menos dessas amarras. A posição exata depende da região do registo e de o titular ter entretanto colocado o recurso sob uma relação contratual, mas, de forma geral, os titulares de legacy têm requisitos de documentação mais leves, menos condições associadas às transferências, e nenhuma obrigação de adesão pelo simples facto de deterem o bloco.
Há mais uma diferença prática que importa comercialmente: os blocos legacy tendem a ser mais antigos, maiores e contíguos. Um /16 atribuído em 1991 é um único bloco limpo, não algo cosido a partir de fragmentos.
O que as diferenças significam na prática
Quatro diferenças importam quando o espaço legacy muda de mãos.
Menos condições na transferência. A política do registo para espaço alocado exige que o destinatário assine contratos e cumpra verificações de documentação e, na ARIN e na APNIC, que mostre como vai usar os endereços: na ARIN para além de um primeiro /24 (NRPM secção 8.5), na APNIC com um plano para a sua utilização (condições de transferência). O RIPE NCC não tem teste de necessidade nas transferências dentro da sua região (RIPE-807). As transferências de legacy são muitas vezes menos restritas, o que encurta o processo e alarga o leque de compradores elegíveis. Nenhuma política RIPE as cobre: o RIPE NCC regista-as "on a best effort basis" (tradução: «numa base de melhores esforços»), e o bloco continua legacy. A APNIC aprova-as sem analisar como o espaço é usado.
Sem requisito de adesão, na região do RIPE NCC. Aí, um comprador que não quer tornar-se LIR pode deter espaço legacy sem essa relação, ou optar por um patrocínio. Noutros lados, a relação com o registo vem com o bloco: na APNIC, o comprador de espaço legacy tem de ser membro, e na ARIN assina o contrato de registo da ARIN.
Historial mais limpo. Os blocos legacy estiveram muitas vezes com um único titular institucional durante décadas, com pouco ou nenhum uso comercial. Isso tende a significar nenhum historial acumulado em blocklists e nenhuma bagagem de reputação, o que importa imenso se os endereços se destinam a email ou a qualquer carga de trabalho sensível à entregabilidade.
Escassez. Nunca será criado novo espaço legacy. A oferta é fixa e diminui à medida que os blocos são absorvidos pelo regime contratual, pelo que um bloco legacy não pode ser substituído por um novo.
O que verificar antes de comprar espaço legacy
A posição regulatória mais leve corta nos dois sentidos. Uma supervisão mais fraca do registo significa historicamente que o rasto documental pode ser mais ténue, pelo que a verificação importa mais, não menos.
- Cadeia de titularidade. Quem deteve realmente o bloco desde a atribuição? As organizações fundem-se, dissolvem-se e são adquiridas, e um intervalo de quarenta anos pode esconder muito. Confirme que o vendedor tem realmente direito a transferi-lo.
- Estado no registo. Confirme os dados de registo atuais e se o recurso foi colocado sob algum contrato, o que muda o que se lhe aplica. No RIPE NCC e na ARIN, um bloco legacy só pode ter ROA ao abrigo de um contrato.
- Historial de desvios. Os blocos legacy inativos são um alvo bem conhecido de desvio de endereços (hijacking). Verifique se o espaço foi anunciado por partes sem qualquer direito legítimo a ele.
- Reputação. Uma longa inatividade significa normalmente limpeza, mas nem sempre. Verifique o bloco nas principais blocklists antes de se comprometer, não depois.
- Política regional. Cada registo trata os recursos legacy de forma ligeiramente diferente, e as regras mudaram ao longo do tempo. O que é verdade numa região pode não o ser noutra, por isso leia as regras do RIPE NCC, da ARIN ou da APNIC para o bloco que está a comprar.
Onde entra a RTM Networks
Detemos blocos PA e legacy, e vendemos nas regiões RIPE NCC, ARIN e APNIC (comprar IPv4). O espaço legacy é uma parte significativa do nosso inventário e não uma oferta ocasional, pelo que, se o procura especificamente, vale a pena perguntar o que temos em vez de presumir que não está disponível.
Atuamos também como LIR patrocinador para titulares que querem manter recursos independentes, como blocos legacy, atribuições PI e números AS, sem gerir o seu próprio LIR (patrocínio de PI e ASN). Se já detém espaço legacy e se pergunta quais são realmente as suas obrigações, é uma conversa que vale a pena ter.
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